Como São Francisco pediu e obteve a indulgência do perdão

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Como São Francisco pediu e obteve a indulgência do perdão

Postado em 11/07/2016

Segundo o testemunho de Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim:

Uma noite, do ano do Senhor de 1216, Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos. Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor.

Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”.

E imediatamente, Francisco se apresentou ao Pontífice Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perusia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, destacadamente respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”.

E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Como, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”.

E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas:”Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

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A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre à tarde do dia 1 agosto e o pôr-do-sol do dia 2 agosto. Em 9 de julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública de suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Por último, este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4).

Significa dizer, que atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em "estado de graça", visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre o Papa Bento XVI.

Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração. Por outro lado, a Indulgência é "toties quoties", quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quanto à pessoa desejar (i.e., em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1º de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto). Sem dúvida, foi um precioso presente que São Francisco intercedeu junto ao Senhor, em favor de todos os corações de boa vontade que amam a Deus e almejam, com o benefício da indulgência, poderem cumprir dignamente a sua missão existencial em direção ao Criador.

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O que são as Indulgências?

Depois de receber o perdão de Deus no sacramento da Confissão, o fiel se liberta da “pena eterna” do seu pecado que é o afastamento para sempre de Deus (inferno). Ficam, porém, certas marcas na alma do pecador das quais ele precisa se libertar num processo de penitência e santificação. Deus perdoou a “culpa”, mas o pecado deixou sequelas no pecador. Essas marcas ou sequelas são chamadas de “penas temporais”. A Mãe Igreja, desejando a santificação de seus filhos, sai em socorro deles com suas orações e preces diante de Deus. Indulgência é a “oração da Igreja pedindo que seus membros sejam libertados das conseqüências danosas que o pecado deixa. (…) As indulgências são uma ajuda que a Igreja nos dá no processo de conversão: pela oração eclesial a graça de Cristo atua para nos libertar dos apegos e dependências que o pecado provoca em nós impedindo-nos a uma total abertura para o Cristo. Esta oração, a Igreja faz não somente pelos vivos, mas também pelos defuntos!” (Dom Henrique Soares).

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Condições para receber a indulgência plena do Perdão de Assis (para si mesmo e para os defuntos)

No dia 2 de agosto de cada ano (das 12 horas do dia 1º de agosto até as 24 horas do dia 2), pode se adquirir a Indulgência Plenária, com as seguintes condições:

1 – Confissão sacramental – por este sacramento o fiel arrependido de seus pecados recebe a graça do perdão;(oito dias antes ou depois)

2 – Comunhão eucarística – o fiel comunga o Corpo do Senhor para se unir mais profundamente a ele;

3 – Oração pelo Papa – com uma oração espontânea ou pelo menos com um Pai nosso e Ave Maria o fiel reza pelo Papa e por suas intenções;

4 – Praticar a obra indulgenciada – visitar piedosamente uma igreja paroquial ou um santuário no dia 02 de agosto e rezar nela o Credo, o Pai nosso e a Ave Maria.

Atenção! Esses gestos devem exprimir uma verdadeira atitude interior de conversão para que a graça possa atuar em nós. Portanto, aproximemo-nos do Senhor com um coração contrito e arrependido para receber aquele dom que São Francisco pediu em favor de todos os pecadores.