Deus vai expressando a sua alegria

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Deus vai expressando a sua alegria

Postado em 12/01/2017

Hoje nós meditamos e celebramos mais uma noite desse dezenário! Esse momento tão bonito que também precisa, assim como os demais, ser cada vez mais redescoberto. E, uma vez redescoberto, deve ser aproveitado, vivido com a sua plenitude e a sua proposta. Só podemos olhar o domingo a partir da sua proposta no antigo testamento, que vai preparando tudo isto com a chegada de Jesus, o Messias e à luz do novo testamento. Então, não se pode olhar o domingo somente com as suas características de modo isolado, ou apenas com o novo ou apenas com o antigo testamento. Temos que perpassar toda a Sagrada Escritura, desde o livro de Gêneses até o novo testamento, pois assim compreendemos como podemos aproveitar a proposta de Deus.
A primeira coisa que nós precisamos ter consciência é que os mandamentos não são pesados, não são para nos aprisionar, não são normas que devem ser peso para nós. Então, nos preparamos com um dos mandamentos do antigo testamento e vamos encontrar nele uma única finalidade: preservar a liberdade do povo que sai do Egito, o qual atravessa e tem que fazer caminho, que é não apenas terrestre, de passos, mas também um caminho espiritual, de consciência, de conversão. Estes passaram da escravidão para uma realidade nova. Daí é preciso destacar alguns pontos para nós.
Os mandamentos, portanto, vêm para auxiliar este povo a não voltar para a escravidão. Hoje nós vamos falar do 3º mandamento: Guardar Domingos e Festas. Não apenas o domingo, mas também, em continuidade da proposta, os dias de festas. E nós vamos percebendo no decorrer da nossa vida, pela prática da fé, que não pode ser de altos e baixos, mas sim de continuidade! Este é o nosso esforço quanto igreja.
Outro ponto que o mandamento determina, que protege e vai nos orientando, é isto que estamos celebrando. No antigo testamento isso é muito claro para o povo de Israel: a criação de Deus, a criação que se dá no decorrer de uma semana de 7 dias, através da qual Deus vai expressando a sua alegria, a cada invocação, a cada dia que passa, ele olha o que ele criou e vai dizendo: “Isso é belo, isso é bom!” e conclui com uma preparação da criação do ser humano, o homem e a mulher.
Essa criação, meu irmão, é uma grande celebração. Daí nós encontramos, então, a primeira característica desse dia que é separado e reservado, o repouso do Senhor, o shabat. O Senhor repousa da sua criação e não é o repouso que muitas vezes nós conhecemos, porque depois Jesus vai dizer no evangelho de João: “O meu pai trabalha, eu também trabalho”. E Deus trabalha sim!
Como é então que nós podemos compreender esse repouso se Deus não descansa? É o repouso celebrativo, é uma obra contínua, um aprimoramento contínuo e que depois vem como um dom para cada ser humano e a humanidade inteira: Continuar a obra de Deus. Então, a primeira grande característica desse shabat, desse sábado, desse repouso, é celebrar toda a criação, tudo o que Deus fez, com o seu amor, a sua misericórdia, o seu dom maior.
A outra característica que nós vamos encontrar é a libertação. O povo recebe o mandamento de guardar o sábado não para descansar, mas para se lembrar que foram escravos um dia e que Deus os libertou. Depois de celebrar a criação celebramos a libertação.
Essas são as duas grandes características do sábado, do shabat, do repouso. O povo de Israel vai guardar esse mandamento. Evidentemente, como todos nós sabemos, um pouco mais, um pouco menos e vai chegar então a sua grande plenitude. E aí entra o cristianismo. O sábado, o shabat, esse descanso vai receber a sua plenitude na ressurreição de Jesus que continua com as duas características: o louvor da criação, esse grande agradecimento pelo dom da vida que se manifesta pela criação do mundo e do ser humano, mas também a libertação, uma libertação feita na plenitude de Jesus, a libertação do pecado, a passagem de uma vida de escravidão para uma vida de liberdade de filhos e filhas de Deus, o nascimento da igreja. Esse dom de guardar passa então para cada um de nós.
Guardar o sábado para nós, o repouso, é guardar o domingo. Domingo no qual o Senhor ressuscitou, domingo no qual o Senhor doou o seu Espírito, domingo no qual cada um de nós, Igreja, se reúne como família para celebrar a Eucaristia, o grande dom de Deus, para nós, o sacrifício de Jesus que se renova a cada celebração.
Nós não temos que pensar assim: “Tem que ir à missa porque hoje é domingo”. Não! Você tem que vir preparado, com o coração alegre, pois vamos celebrar a glória de Deus, celebrar a libertação, a glória da plenitude de Cristo no nosso meio. Se nós guardamos o sábado, se nós guardamos o shabat, se nós guardamos o domingo, o domingo também estará nos guardando, essa então é a mão dupla dos mandamentos. E aí nós explodimos de alegria, pois não estamos mais carregando o fardo pesado – e eu digo que esse fardo é pesado pela experiência que nós temos de acompanhar as comunidades, que vocês sabem que nós, frades, acompanhamos uma área missionária no bairro Cidade de Deus e, evidentemente, nós temos uma escassez de padres. Sem padre não tem eucaristia, sem eucaristia não tem ação de graças. Mas mesmo assim percebemos que nós encontramos ausência sobretudo quando tem campeonato de futebol ou algum evento fora, mas há a persistência, a perseverança que nos ajuda.
Às vezes nos perguntamos: Por que tanta ausência? Porque algo está tomando o lugar desta celebração, deste domingo. Algo está trazendo mais alegria do que estar na igreja para celebrar a criação de Deus e a libertação em Jesus. Algo está tomando o lugar de Deus. E nós devemos ficar atentos! Estamos deixando algo tomar o lugar de Deus nos domingos? Estamos caminhando certo, estamos guardando o dia do Senhor?
Que possamos nos fazer cristãos obedientes, que possamos viver o shabat do Senhor juntamente com ele e deixar a vontade de Deus agir em cada um de nós!