Do amor à vida e do não matar
Postado em 14/01/2017

Incendeia, Senhor, a minh’alma, a nossa alma! Com o Espírito Santo de Deus, Pai, abri os nossos corações e fazei-nos sentir a Tua presença! Com o Espírito, dar continuidade, vivenciar este momento em que nós estamos vivendo na Paróquia de São Sebastião, refletindo sobre os dez mandamentos e a plenitude da lei que é o amor de Deus. O Espírito Santo de Deus que nos convoca a viver essa lei do amor de Deus, que nos convoca, neste período, a refletirmos e, como nos foi dito na primeira noite deste dezenário: Nós, cristãos, estamos participando de um grande retiro.
Este é um retiro em que nós vivenciamos a fortaleza do amor e a graça de Deus. É neste retiro, propício para a nossa conversão, que nos faz perceber o quanto a plenitude da lei do amor de Deus nos renova, nos convida, nos convoca, nos chama a proporcionar a cada um de nós a vida. Hoje, nós refletimos nesta quinta noite um mandamento muito pequeno, mas de uma grandeza que segura, que fortalece todos os outros mandamentos: Não matarás! Quando nós matamos, nós impedimos o projeto da vida na qual Deus proporcionou e proporciona a cada um de nós. Por isso, é preciso ir diante do Espírito Santo para que possamos fortalecer a graça de Deus, Espírito este que fortaleceu também Moisés e o seu povo. Espírito este que fortaleceu e deu a graça de Moisés poder levar o povo, sentir a necessidade do povo e os libertar da escravidão.
Sem o Espírito Santo de Deus, amados irmãos e irmãs, nós não experimentamos verdadeiramente o sentido da vida, nós não buscamos vivenciar essa plenitude da lei de Deus, o mandamento que ele nos concede a graça de viver a vida em Deus, com Deus e para Deus. Devemos observar que estamos na quinta noite, nós estamos do meio, no centro dos mandamentos e ele abrange a todos os demais. Ele que fortalece e dá continuidade a todos os outros. Não seguir o mandamento de não matar impede que nós possamos viver os outros mandamentos.
Deus nos concede, como concedeu ao povo, que Moisés tirou da escravidão e os conduziu à liberdade, à vida, um desejo de que povo saísse daquele sistema opressor que tirava a vida do povo. Deus olhou diante da necessidade, das súplicas de Moisés e concedeu a ele a graça, pela sua vontade, que o povo que vivia nesse sistema opressor permanecesse com vida, com o desejo da vida, com o desejo do amor à liberdade de viver a vida sem a escravidão. E, para isso, quando Deus olhou para Moisés, concedeu a ele a luz do Espírito. Da mesma forma que a voz que Moisés ouviu, obedeceu e recebeu diante de Deus através dos mandamentos para vivenciar e conceder a vida, Deus nos cede hoje. Ele também nos faz esse convite, apresenta a cada um de nós nesse tempo no qual somos chamados a fortalecer e reavivar em nós os mandamentos da plenitude do amor de Deus.
Portanto, Deus nos convida a refletir e reacender em nossos corações essa chama do amor Dele, do amor à vida e do não matar. Se Deus nos chama a isso, este mandamento de não matar é porque Ele confia, permanece confiando e nos pede que nós continuemos fazendo com que o amor Dele seja claro e evidente para nós hoje. Como cristãos, filhos e filhas amados de Deus que somos pelo nosso batismo, através do qual Ele nos concedeu a graça da vida e do qual ouvimos o relato do 5º mandamento, temos o direito a nossa concepção, a vida, pois ela faz parte do projeto de Deus e nos é dada por meio da plenitude do seu amor para conosco.
Os ensinamentos de Deus nos mostram claramente o sentido de podermos continuar vivenciando o exemplo da vida através do grande amor do Pai que é Jesus Cristo. Ele nos mostra que veio para fazer a vontade de Deus, por meio da obediência, para mostrar a cada um de nós que mesmo diante do que nós passamos nos momentos de escuridões, trevas e nuvens escuras, Deus permanece conosco, pois Ele é o centro da nossa fé e da nossa vida. Por isso não matarás, pois o seguimento de Cristo nos mostra a certeza da plenitude da lei do amor.
Por isso, amados irmãos e irmãs, Jesus Cristo vem nos mostrar que a sua graça é para todos nós, seguindo o projeto de Deus para que todos tenhamos vida, e vida em abundância, a qual significa a não morte. Não matarás significa não experimentar este mandamento contrário a vontade de Deus, pois Ele deseja a vida. Deus não quer que nós matemos, pois o projeto Jesus, através da vontade do Pai, nos mostra com clareza o seu amor e que nós tenhamos vida, a qual é um direito concedido a todos, sejam aos bons ou aos maus.
Nós vivemos não por exclusividade, por fazermos o bem, pois nós vivemos em um mundo que acolhe os bons e os maus. Deus não faz chover só para os bons, mas também para os maus. Ele mostra o sentido da importância da vida não somente para aqueles que seguem os mandamentos de Dele, mas Ele mostra isto a todo ser vivo, desde o momento da criação. Deus quis que nós tivéssemos vida e que nenhum ser vivente, no habitat que Ele criou para nós por amor morresse, mas que tivesse vida em plenitude, em abundância. Por isto, a obra da criação de Deus é importante para nós, porque ele demonstra nesse momento a plenitude do seu amor, este Pai que nos mostra a clareza do seu amor diante da criação.
Assim, amados irmãos e irmãs, este quinto mandamento, tão pequeno e tão grandioso para nós na forma em que ele nos chama a vivenciar a vida, a desejar a vida a todas as pessoas, a todos os seres, nos mostra que assim como Deus olhou para o seu povo, o libertou e o conduziu à salvação e à libertação, nos lembra que Moisés, diante da sua missão, também encontrou momentos de perseguições, de nuvens escuras, de trevas, mas ele não deixou de acreditar, de continuar na fé, de continuar amando o projeto de Deus. Ele manifestou dentro de si o desejo a vida, o desejo da libertação, de tirar o povo da escravidão do sistema opressor e de conceder a eles uma vida plena e digna em que todos pudessem ser de igual para igual.
Parece que o sistema de dois mil anos atrás não mudou muita coisa, pois tiramos essa conclusão pelo que nós vivemos no momento presente. Se nós formos fazer uma longa reflexão sobre o sistema da época de Moisés com o sistema que nós vivemos nos dias de hoje, nos perguntamos: O que mudou? Que diferença teve da época de Moisés para agora? Da época do faraó que não aceitava que ninguém dissesse nada e que todos fizessem apenas o que ele mandasse, porque se falasse algo contrário a sua lei era morto. Ele [faraó] que de fato conduzia o seu povo, não era Deus, não tinha Deus, ele não sentia o amor em sua vida, ele só sentia a si próprio e manifestava a lei conforme a sua vontade, pois, não tinha vida, ele matava. E hoje? Hoje nós experimentamos um sistema que, não vou dizer que era idêntico, mas parecido e muitas vezes não é respeitado, que não olha para o outro com a imagem semelhante a Deus, que não busca trazer a dignidade e o respeito ao ser humano.
Há um sistema que ainda dita as suas leis, que nos impede de viver livres, seguros e confiantes naquilo que Deus apresentou para Moisés. Jesus, em seguimento a Deus, mostra pela nossa fé que nós ainda não sentimos a segurança e a liberdade de podermos continuar vivendo, porque não matar, diante desse mandamento, ainda envolve o nosso ser, a nossa vida, não nos dá essa liberdade de podermos continuar acreditando no amor de Deus, mas Ele não desiste, pois nos mostra que devemos, diante do seu Espírito, seguir e fazer a sua vontade. Deus nos mostra as suas leis, a plenitude delas e nos convida a seguir a plenitude e a realizar as obras do seu amor.
Que nós, cristãos, diante de tudo que nós, às vezes, presenciamos e nos amedrontamos, não percamos a confiança em Deus. Não devemos nos mostrar amedrontados diante dessas nuvens escuras que dias recentes circundava a nós e os nossos lares. Pairava sobre a nossa cidade as crueldades, as barbáries que nós vivenciamos e continuamos vivenciando. Barbáries essas que se nós não pisarmos firmes diante dos mandamentos de Deus, se não seguirmos confiantes e não fortalecermos a nossa fé, iremos dizer que Deus não nos ama, não está conosco, que Ele não existe, mas que existe a crueldade, o mal, a violência e aquilo que nos impede à vida. O amor perpassa tudo isso e é onde nós devemos nos apegar, neste mandamento: Não matarás, para que a plenitude da lei de Deus torne-se para nós abundância da vossa vontade.
Amados irmãos e irmãs, sejamos corajosos diante de tantas dificuldades que passamos pela vida, mas não desistamos de seguir diante da lei do amor de Deus. Sejamos corajosos, depositemos a nossa confiança, permaneçamos firmes, fortes e confiantes no Deus da vida. Que desde o início da criação do mundo até o momento em que nós nos encontraremos com Deus na ressurreição eterna, é ele quem estará do nosso lado, é ele quem permanece conosco.
Confiantes nessa graça de continuarmos este dia de retiro, esses dias da reflexão de cada mandamento que vai reacender a chama do amor de Deus em nossos corações, que nós possamos nos colocar em cada momento, sejam eles felizes ou difíceis, nos braços de Deus, para que Ele seja o centro de nossa fortaleza, de nossa vida, como verdadeiramente é. E que nós não nos percamos nessa escuridão que circunda as nossas vidas, as nossas famílias, os nossos lares, as nossas cidades, o nosso país, o nosso mundo e a obra do criador.
Que nós possamos ser esses instrumentos de vida, que não percamos a esperança, que não deixemos que este mandamento de Deus se acabe e que todo mundo saia matando todo mundo, que todo mundo não honre pai e mãe, que todo mundo deixe de amar a Deus e que todo mundo deixe de vivenciar essa experiência de Deus em suas vidas, mas sim que nos coloquemos diante Dele, para Ele nos fortalecer e nos dar a graça de podermos viver a plenitude da abundância de Deus em nossas vidas.