Hoje você é pai ou mãe, mas também é filho

BLOG

Hoje você é pai ou mãe, mas também é filho

Postado em 13/01/2017

Amados irmãos e irmãs, vocês que estão fazendo esta caminhada com o dezenário desta Paróquia de São Sebastião, podendo aproveitar desta comunidade que é concedida a todos nós, podendo refletir a cada dia sobre os mandamentos os quais, por vezes, ao longo do nosso cotidiano de cristão católico vão ficando de lado e vão caindo até mesmo no esquecimento ou na mesmice, como se nós não fizéssemos caso dos mandamentos. Tendo presente aquilo que são os mandamentos, ou seja, o mandamento é a palavra, a qual é Lei de Deus, a Paróquia de São Sebastião nos convida a refletir sobre a plenitude da Lei que é o Amor e, dentro desse contexto, refletir sobre os mandamentos. Hoje, Honrar pai e mãe.
Tendo recebido esta introdução, que nós possamos neste momento, todos, pois todos somos filhos e filhas, mesmo que você já não tenha mais o seu pai ou a sua mãe, hoje você é pai ou mãe, mas também é filho. O que seria de nós sem a lei, sem a palavra de Deus, a qual vem para nos orientar e nortear a nossa vida? Quando em dado momento da história da salvação, da história do povo de Deus neste caminho para a libertação, em um contexto muito oportuno dos mandamentos, os quais nos conduzem para a libertação na plenitude do amor e, olhando o que era aquele cenário do povo que caminhava no deserto, é possível perceber o quanto a palavra, a lei de Deus é atual.
Os mandamentos vêm e remontam a história do povo de Deus. Moisés busca as tábuas da Lei, por quê? Para quê? Na nossa consciência, dentro daquilo do que é a palavra e depois a palavra, muitas vezes, transformadas em filmes, seja de Moisés ou deste acontecimento, com diversos recursos cinematográficos de como Deus vai escrevendo na tábua.
Portanto, o que é para nós os mandamentos? Os mandamentos são parte de nossa vida, que vem nos enriquecer e nos libertar das nossas fragilidades humanas. Como Moisés já não sabia mais o que fazer, foi orar a Deus no Monte, pois estava vendo o que acontecia: aborto, adultério, mortes, inclusive os filhos e filhas que já não queriam mais respeitar os seus pais. Portanto, honrar pai e mãe, assim como os outros mandamentos, ainda são e serão vigentes ao longo da nossa história, ao longo da história da humanidade. Os mandamentos não têm data de validade, não irão vencer jamais, pois a palavra de Deus é atual. Os preceitos do Senhor Deus são corretos, alegria ao coração, como nos disse o salmista em outro momento.
Podendo celebrar e completar esta plenitude da lei que é o amor, refletindo hoje sobre honrar pai e mãe, nós podemos aprofundar isto um pouco na nossa família. O que nós, como filhos e filhas, compreendemos o que é honrar pai e mãe? Só obedecer ou só fazer as coisas que nós temos que fazer? Não! Honrar pai e mãe é entender o comprometimento com o projeto de Deus, é entender que sem o amor nada nós podemos fazer e não somos nada. Honrar pai e mãe é decididamente dizer a Deus que nós abraçamos o projeto da construção do reino em Jesus Cristo.
Podemos olhar para nós mesmos e dizer: “Ah! Sou um filho obediente! Eu faço tudo o que meu pai ou a minha mãe pedem!”. Isso não é honrar pai e mãe, isso é fazer o que você deve fazer. Um filho que não obedece, que caminho vai seguir? E como exemplo de filho nós temos Jesus Cristo, o filho de Deus. Ainda há pouco celebramos o Natal. Logo mais à frente vamos celebrar outro tempo, a Páscoa. E ao longo da quaresma vamos contemplando e vivendo em Jesus Cristo o que de fato é honrar pai e mãe. Ele que na obediência e por amor à humanidade vai doar a sua vida.
Portanto, honrar pai e mãe é doar a própria vida, é a dimensão do amor que nós tanto queremos e buscamos – todos nós queremos ser amados. Aí está e é nisto que consiste honrar pai e mãe. É ser comprometido com a pessoa do outro, é ser dedicado, é ser doado. Claro, é muito comum quando, nas disposições de cada dia, vamos recebendo pessoas para conversar, para aconselhar, e às vezes encontramos jovens que vêm até nós, com o coração aflito pelo contexto familiar, aflito muitas vezes e se achando no direito de estar chateado com pai ou com a mãe. E, pra mim, como sacerdote e como cristão, sempre a resposta é a mesma: “Ele é o seu pai e ela é a sua mãe. Você os ama? Quem ama, supra as dificuldades, perdoa”.
Ainda que entenda que na relação familiar, pai e mãe, há algum agravante, nós não temos o direito de ficar com raiva, até porque esta não deve ser a atitude cristã. Nós temos o dever de amar e perdoar. Honrar pai e mãe no tempo em que vivemos: Quantas situações e questões familiares... Quantas famílias desestruturadas, abaladas pelas novas ideologias deste mundo, pelas novas consciências, pelos novos direitos lançados pelo mundo... Famílias fragilizadas, pais e mães muitas vezes despreparados para ser pai e mãe e que, consequentemente, os filhos destes pais também serão mães e pais despreparados.
Daí vocês podem me dizer: Padre, então não tem mais jeito? Sim, quando se acredita, quando se tem fé, quando se busca onde deve buscar, sempre tem jeito. E onde nós devemos buscar? Em Jesus Cristo, na sua palavra, nos mandamentos da lei do Senhor Deus que nos ensina a viver. Se nós formos fazer agora – mas nós não vamos fazer isso porque a cada dia é trabalhado um mandamento – mas se você já está participando desde o primeiro dia, continue. Se você está vindo pela primeira vez, continue nos outros dias, para que você possa contemplar em cada mandamento a maravilha de Deus instruindo a nossa vida, dizendo como nós devemos viver e não olhar para o mandamento superficialmente quando diz: Não matar, não roubar, honrar pai e mãe, o qual não se resume em uma simples obediência e um cumprir de deveres dentro de casa.
“Ah! Eu já fiz tudo!” E dentro desse “fiz tudo” muitas vezes o honrar pai e mãe se torna uma barganha de favores. “Ah! Eu já fiz isso, então eu mereço isso”. “Eu limpo a casa por completo, então tenho direitos”. “Ah! Eu sou o filho que toma conta dos outros irmãos, então tenho regalias por conta disso”. O que acontece: quando entendemos dessa maneira, estamos novamente fragilizando nossas famílias. Porque do momento que não houver uma barganha ou uma negociação e que, infelizmente, entramos nesta pedagogia dentro de nossas famílias e, quando isso não for possível, tudo desmorona.
Muitas vezes nesta preparação, nesta falta de sabedoria para educar os filhos, nós negociamos: “Olha! Se você passar de ano vai ganhar um presente”. Péssima pedagogia. Tem que passar de ano porque é uma necessidade. Quem vai ganhar com isso é o próprio filho. “Ah! Se você for um bom filho, o Papai Noel no final do ano vai lhe dar um presente!” Ainda engana! Não, se ele for um bom filho, ganha ele mesmo por isso e a família vai estar bem. Porém, frente o contexto familiar do século XXI, em que muitas vezes nos vemos desesperados e, muitas vezes, em uma luta covarde, visto que o mundo tem muitos artifícios, muitas ideologias, muitos atrativos, muitas luzes que brilham e atraem os nossos filhos e, por vezes, atrai a nós também. E nos encontramos ali, sem saber o que fazer. Se você hoje não sabe o que fazer na relação familiar, nesta relação pai – mãe – filhos, busque os mandamentos, busque a palavra, se instrua na palavra de Deus
É muito fácil se perder pelo caminho quando não se tem uma regra de vida, quando vivemos na superficialidade das coisas, inclusive da fé. Como posso dizer que sou cristão, mas aquilo que Cristo me ensinou não é fio condutor da minha vida? Até conhecemos, já lemos, já ouvimos, mas não temos a coragem de colocar como nossa regra de vida. Honrar pai e mãe vai no mais profundo dos sentimentos e nos convoca a viver o amor acima das dificuldades ou dos meus interesses, porque tanto os pais quanto os filhos têm seus interesses e muitas vezes há uma troca de valores, até mesmo uma troca de lugares em nossa família.
Claro, pelo medo de perder, pela falta de conhecimento, às vezes os pais se sujeitam a muitas situações decadentes para com os filhos: Falta de posicionamento, falta de conhecimento da palavra, falta de insistência, falta de perseverança. E eu gosto sempre de dizer aos pais: Não desistam dos vossos filhos, pois Deus não desistiu de nós, não desistiu da humanidade, pois enviou o seu filho Jesus a nós, e Ele, obediente, compreendendo o projeto de Deus de salvação para a humanidade, seguiu até o fim. Este Jesus, nosso Salvador, compreendendo a grandiosidade da sua missão, também não desistiu de nós, foi até o fim.
E nós, por muito pouco ou nada, desistimos, às vezes lavamos as mãos, nos fazemos de Pilatos. Entendemos que a nossa missão de pai e mãe, de filhos e filhas, é uma missão para a vida inteira. É uma missão que deve ser realizada no cotidiano. É uma missão que vai nos edificar e, por mais que, ao longo do realizar dessa missão, nós pensamos e entendamos que as coisas não estão dando certo, é porque queremos ver a partir da nossa ótica, queremos olhar com os nossos olhos uns para os outros. Se começarmos a olhar com os olhos de Jesus, alguma coisa nós vamos enxergar de melhor nos outros. Isso é muito comum na relação familiar.
Há uma cobrança de pais para com os filhos e filhos para com os pais. Recebemos muitas informações a cada dia e infelizmente, muitas delas, contrárias aos valores da fé, ao projeto de vida que Deus tem para nós. Informações que tornam o nosso coração egoísta e endurecido, ao ponto de pais e filhos não se perdoarem, Até vivem na mesma casa, mas não conseguem dar o primeiro passo. Por uma questão ou outra, às vezes muito dolorosa, algo que feriu, que machucou. Daí preferimos viver uma vida com uma ferida aberta do que tentar sarar esta ferida. A cicatriz vai até ficar, mas a ferida pode sarar. E a dinâmica do tratamento é viver esta plenitude da lei do amor.
Quando Deus olhou para o seu povo e enviou sempre homens e mulheres para conduzir o povo de volta aos bons caminhos, Ele fez por amor. Se não foi suficiente, os homens, as mulheres e os profetas, Deus enviou o seu filho. Se não foi suficiente enviar o seu filho, Ele deu a vida por nós que, no contexto dos mandamentos, somos chamados a amar a Deus sobre todas as coisas. Não adianta ficar olhando para cima e querer criar uma relação vertical com Deus e esquecer que a nossa relação com Deus é horizontal, pois eu tenho que olhar para o meu próximo, para o meu irmão, para o meu filho, para o meu pai, para a minha mãe. Não adianta dizer que ama a Deus sobre todas as coisas se não consegue amar o filho ou a filha, o pai ou a mãe.
Honrar pai e mãe é superar todas essas falências humanas e muitas das vezes coisas que nós mesmos imprimimos sobre nós, por situações causadas pela nossa má vivência da liberdade. Confundimos muitas vezes liberdade com libertinagem. Confundimos liberdade com “Eu posso fazer o que eu quero!” e não é assim. Confundimos liberdade com autossuficiência, com tantas outras coisas. Mas não queremos viver a liberdade no amor e na lei de Deus. Alguém dizia: “Padre, mas se tem uma lei, existe liberdade?” Sim, porque Deus nos ama incondicionalmente e nos quer seguidores que o amam na liberdade e não por medo de ir para o inferno e perder o céu. “Ah! Eu vou para São Sebastião todos os dias porque tenho medo de perder o céu”. Não, se estamos por medo, estamos de modo errado. Devemos estar aqui por amor e por amor viver a Lei e, dentro da lei, hoje somos chamados a honrar pai e mãe.
E a palavra nos ensina mais ainda: Quem honra seu pai e sua mãe junta tesouros no céu. “Ah, padre! Mas lá no céu tá tão distante, nós queremos os bens materiais aqui. Queremos ganhar na Mega-Sena, queremos um carro, uma casa... essas coisas”. Daí eu lhes digo: Devemos desejar constantemente, no contexto da lei, alcançar o céu, a grande herança alcançada por Jesus a nós, porque nele nós nos tornamos filhos e filhas de Deus, coerdeiros no céu. Mais do que pensar neste instante, pensemos na vida eterna. O agora vai passar, mas a vida eterna é para sempre.
Então, amados irmãos e irmãs, celebrando este dezenário, podemos preparar o coração para viver o grande dia do nosso Padroeiro São Sebastião que, por si só, por seguimento e amor a Jesus Cristo, dá testemunho com a própria vida. E nós somos chamados, assim como São Sebastião, a viver a lei, viver o mandamento de Honrar pai e mãe e, se necessário, dar a própria vida. E quando eu falo isso, logo pensam que é morrer. Sim, não morrer como São Sebastião que foi flechado e assassinado, mas morrer para aquilo que não me permite ser família, morrer para aquilo que não me permite viver o mandamento, morrer para o meu egoísmo, para os meus projetinhos pessoais e de igual modo egoístas, que me fazem esquecer a grandiosidade do amor de Deus vivenciando os mandamentos.
Então, amados irmãos e irmãs, eu vos convoco: Se você já está desde o primeiro dia, a continuar. Se você veio hoje, continue, venha refletir os mandamentos da lei de Deus, a qual é o amor. Pois nos diz Jesus: Amemos uns aos outros como eu vos amei!
Louvado seja o nome de nosso Senhor Jesus Cristo!